UMA CRENÇA LIMITANTE: ACREDITAR EM UM DEUS PARA SER BOM


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A suposição de que a religiosidade possuiria uma relação causal com a expressão de comportamentos de cunho pró-social se chama “Hipótese Pró-social da Religião”, uma linha de pensamento extremamente difundida entre a população. Todavia, revisões e experimentos que buscaram testar essa possível relação entre moralidade e a crença em um deus parecem fazer coro com a ideia de que, após uma análise crítica, esta hipótese não se sustenta. A crença religiosa simplesmente não está relacionada com pensamentos e comportamentos morais e pró-sociais, da mesma forma que a descrença não pode ser relacionada a comportamentos amorais, o que é condizente com o que poderia se esperar de uma forma de pensamento agregado ao Laicismo, onde estão valores humanistas e secularistas, ou seja, valores devidamente separados de qualquer crença religiosa, mas pautados no conhecimento científico e filosófico em prol da humanidade e da sociedade.

(nota pessoal;A religião (ou a falta dela) apesar de interferir na formação dos valores e atitudes de um indivíduo, é apenas um pequeno pedaço do grande sistema de crenças que é modelado durante a vida de cada pessoa. A religião é uma forma de balizar os comportamentos daqueles que acreditam, mas para os que não são religiosos outros valores são utilizados, valores estes que, inclusive, tendem a ser mais justificáveis do que a crença em um mundo espiritual pós-morte, como a ética, o respeito ao próximo, as evidências científicas que guiam as opiniões acerca de temas polêmicos, a intenção de coexistência pacífica com os outros indivíduos etc.) Os valores de um ateu ou agnóstico por exemplo, tendem a caminhar com uma visão menos conservadora da realidade. Os preceitos que justificam e guiam os valores que os indivíduos que não seguem uma fé em particular atribuem às coisas – e assim também os comportamentos resultantes desta equação – tendem a seguir pela direção do melhor para a humanidade, e pouco tem relação com algo místico, como escrituras sagradas ou a possibilidade de alcançar um futuro paraíso, mas sim na tentativa de ser melhor NO PRESENTE, para fazê-lo funcionar. Bom, mesmo assim, é claro que este grupo também possui as suas exceções.

Sendo assim, não é possível e nem honesto associar a crença em uma religião ou a inexistência desta, a atos criminosos e amorais. Todavia, a discussão é cabível, justamente por aqueles que não crêem em uma religião ou existência divina, fazerem parte de um dos grupos que mais sofre com o preconceito velado na sociedade, seja pertencente á uma doutrina diferente da usual, agnóstico ou ateu.(nota pessoal; Um grande número de pessoas acredita que a” não crença” em deus é o “câncer da humanidade” e diretriz absoluta e fundamental para que seja engendrada em uma pessoa os traços definitivos de um psicopata, como exemplo,pessoas que apregoam que a violência na atualidade seriam resultados da “ausência de deus no coração” do indivíduo.)

Ou seja, não acreditar em um deus – seja ele qual for e não importa a religião – já é, antes de qualquer coisa, uma comprovação de que o indivíduo faz parte do lado “Mau” da humanidade, um maniqueísmo barato e raso, que não se sustenta. Não crer na existência de Deus não significa dizer que o sujeito não seguirá as leis e não possuirá valores humanistas, muito pelo contrário, já que a fé tende a ser uma justificativa utilizada para aniquilar todo e qualquer argumento – mesmo que pró-social e embasado – que vá de encontro ao dogmatismo e às” bases sacras”. Como vimos anteriormente, a “Hipótese Pró-social da Religião” já foi comprovada não passar de uma falácia irreal.

Além daqueles que pensam que um mundo com “valores morais” não é possível fora da existência de Deus, estão aqueles que defendem que mesmo que a crença em Deus não fosse necessária para a existência de leis morais, ela é necessária pelo menos para fazer com que tais leis sejam cumpridas, já que sem a ameaça de uma”punição divina”, as pessoas não agiriam de maneira moralmente correta (?!). Este argumento é insustentável por muitas razões.(nota pessoal; Primeiro, não existe evidência inquestionável de que os que crêem são moralmente superiores à aqueles que não crêem. Na verdade, não sómente os estudos psicológicos falharam em encontrar uma correlação significativa entre a frequência da “adoração religiosa” e a “conduta moral”, como existem mais criminosos condenados teístas do que ateístas. Segundo, a ameaça de uma punição divina não gera um “dever moral”; ELA O ARRANCA. Assim, se nossa única razão para obedecer a Deus é o medo de ser punido ao não fazê-lo, então, desde um” ponto de vista moral”, Deus não tem mais direito à nossa lealdade do que Hitler ou Stalin. Deus, neste caso, não seria um ser de puro amor e bondade; em vez disso, ele seria algo parecido a um ditador.)

Embora seja verdade que pessoas mentalmente doentes podem ser encontradas em qualquer lugar, se a crença em Deus funcionasse como um termômetro da moralidade de uma pessoa, nunca encontraríamos tantos casos de abuso sexual contra crianças como encontramos entre líderes religiosos.(nota pessoal; Esta é uma das evidências mais fortes do equívoco cometido ao estabelecer uma relação determinante entre a crença em Deus e a moralidade de uma pessoa. As pessoas que realizam tais atos deploráveis vivem suas vidas para Deus e sob as regras deste Deus.  São elas que acreditam que suas ações são observadas por este “ser” que dita o que é certo e o que é errado para tudo que existe no planeta, incluindo as ações morais. Apesar disso, são elas mesmas que agem imoralmente e que causam tanta dor à aqueles que deveriam ser protegidos pelos adultos: as crianças.)

Muitos dirão que não é possível tornar Deus responsável pela existência de todo mal ou pela prática dos atos deploráveis que ocorrem no mundo. E este não é o objetivo deste post. Independente de crenças religiosas,respeitando á todos que crêem em um Deus ou não, o que a evidência mostra é que há pouca ou nenhuma correlação entre ser uma pessoa de valores morais elevados e ser “crente em Deus”.(nota pessoal;Atos moralmente elevados ou imorais, definitivamente podem ser encontrados dentro e fora da religião, porque pessoas moralmente elevadas e pessoas imorais podem ser encontradas em todo lugar. Os grupos aos quais elas pertencem podem ajudar a modelar suas tendências naturais, mas não definem nem transformam suas essências.)

Muitos estudiosos e sociólogos do fenômeno da crença perceberam de maneira correta, que padrões morais universais são necessários para um funcionamento apropriado da sociedade. Mas muitos deles se equivocaram ao afirmar que sómente através da crença em Deus, a conquista e o estabelecimento de tais padrões são possíveis. Filósofos tão diversos como Platão, Immanuel Kant, John Stuart Mill, George Edward Moore e John Rawls demonstraram que é possível ter valores morais universais fora da crença em Deus.(nota pessoal; Para entender a vida ou para entender os valores morais não é necessário acreditar em Deus.Isso é uma escolha totalmente individual que não está atrelada á ser bom, honesto e correto, respeitando todos os indivíduos em uma sociedade)

Conclusão

Ao contrário do que os religiosos e moralistas de plantão querem que acreditemos, o que a nossa sociedade realmente precisa não é de mais “religiosidade”, mas de uma noção mais rica da natureza da Consciência Cósmica Universal e a ideia de Plenum Cósmico/Deus. Talvez, ao invés de nos reunirmos para estudar a Bíblia, deveríamos nos reunir para estudar Filosofia e o pensamento de nossos filósofos mais famosos. Tenho certeza de que isto nos tornaria não somente mais críticos, mas também pessoas de valores morais mais elevados.Nós, da “Luz é Invencível” quisemos com esse texto , abrir mais o leque de possibilidades para ampliar o sentido do Divino em cada um de nossos leitores e interessados na evolução, pois ,sem preconceitos religiosos, acreditamos ser possível um maior entendimento de nossa sociedade como um todo,desdogmatizando e assim libertando as pessoas de falsos moralismos e julgamentos, já que todos são livres para acreditar ou não,agindo de acordo com seu próprio discernimento interior.O Plenum Cósmico/Deus tem um sentido individual para cada um separadamente, e ELE se revelará cada vez mais, de acordo com a capacidade individual de compreendê-lo que cada um conseguir alcançar.

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“Eu aceito o mesmo Deus que o nosso grande Spinoza chama a Alma do Universo, não creio num Deus que se preocupe com as nossas necessidades pessoais.”

Albert Einstein

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Bibliografia para consulta

A Ètica da Crença
William James
Andaimes do Real-Psicanálise da Crença
Fábio Antonio Hermmam
O Conhecimento de Deus
Michel C. Tolley
Brincando de Deus-Uma conversa sobre a Ètica
Tony Watkins

Nota; Biblioteca

Divulgação: A Luz é Invencível

 

7 comentários em “UMA CRENÇA LIMITANTE: ACREDITAR EM UM DEUS PARA SER BOM

  1. Olá Frederico

    Obrigado pelo comentário e pela presença nos prestigiando

    A verdadeira e real independência que podemos exercitar na vida é aquela ditada pelo nosso interior. Mas ela só se torna possível se aprendermos desde muito cedo a manifestar nossa vontade sem medo.Isso é um exercício que aprendemos ainda na infância,de acordo com a filosofia de nossa educação;ser sempre honesto,saber passar uma informação fidedigna,expressar nossa opinião com franqueza e delicadeza, saber respeitar as diferenças em tudo e por tudo;Aqueles que não tiveram a sorte de desenvolver-­se num ambiente em que sua liberdade tenha sido estimulada e,ao contrário, foram reprimidos/dogmatizados desde muito cedo na manifestação de seu poder interior, certamente seguirão
    dominados por uma profunda insegurança, sempre à espera da aprovação exterior,o que não é seu caso como descreve aqui, mas é o caso do seu interlocutor, que esperava uma resposta e veio outra(que ele não soube exercer as qualidades acima supracitadas).

    Desconstruir tal condicionamento não é uma tarefa fácil, requer uma atenção permanente sobre nossos próprios sentimentos e desejos, e uma grande coragem para ir contra o julgamento alheio, que muitas vezes nos cobra um preço alto.Mas não há outra maneira de fortalecer a auto­estima, senão confiar nos próprios insights. Nosso guia interior ­que nos direciona para a verdade, o bem e a luz­, está sempre presente, à espera de nosso reconhecimento.O problema é que não fomos, a maioria, ensinados a acreditar nele, mas sim no julgamento que o restante do mundo nos envia. Afinal, disto depende a maior ou menor aceitação que obteremos.Esta é a palavra chave;aceitação.Para os despertos, o importante é estar centrado e dono de sua própria maneira de pensar, e ajudando com isso as outras pessoas a se desbloquearem e sairem “da caixa”.Quando aprendemos a confiar em nossa interioridade, ganhamos tal segurança que as opiniões alheias deixam de ter a mesma importância e continuamos mais fortalecidos,porque estamos sendo autênticos e fiéis á nós mesmos.Ser fiel, acima de tudo, a si mesmo, é o segredo para uma existência livre de arrependimentos. Quando abrimos mão de nossos valores para agradar aos demais, o desconforto certamente se instalará.Atente sempre para o caminho do meio, ou seja, evite a rigidez e sempre medite sobre tudo.

    Não tenha medo do que as pessoas vão dizer. Nunca tenha medo da opinião das pessoas ­ que é a maior prisão do mundo. Uma vez que você não tem medo das opiniões das pessoas, você é livre; Essa é a escravidão sutil.Continue com seu trabalho de conscientização dos seus semelhantes,pois é esse o trabalho mais difícil e o que mais precisamos no momento.

    Fique á vontade para suas considerações.Continue conosco.

    Muitas vibrações positivas da Equipe da Luz é Invencível

  2. É!
    Outro dia alguém chamou-me integro, muito bem educado, chegando até a dizer que nos dias actuais era difícil encontrar jovens da minha idade com tal comportamento. Isso foi antes de eu ter exposto meus pensamentos, levando a pessoa a perceber que eu era um ponto de interrogação ambulante. Depois disso a única coisa que eu conseguia ver nos seus olhos era ódio. Chamou-me ignorante, perverso, lobo em pele de cordeiro, disse que eu não tinha respeito nem consideração pela educação que recebi de meus pais.

    A esperança de uma afinidade foi dissipada no instante em que disse o que pensava e lamentei não poder fazer nada.

    É terrível isso tudo, mas felizmente tem funcionado como catapulta para mim, incentivando-me a ir atrás do conhecimento aprendendo mais e mais, afim de saber como ajudar as pessoas a pensarem por si mesmo, em si como um todo.

    Muito Obrigado equipe Luz é Invencível pelo conteúdo.

    Luz em extensão a todos.

  3. Pingback: AS ORIGENS DA ADORAÇÃO-Porque nós fomos condicionados á rituais | A Luz é Invencível

  4. Pingback: A AYAHUASCA E O SANTO DAIME-DOUTRINA DA FLORESTA ,RELIGIÃO OU EXPANSÃO DE CONSCIÊNCIA? | A Luz é Invencível

  5. Pingback: Uma Crença Limitante: Acreditar em um Deus para ser Bom – 24.05.2015 | Senhora de Sírius

  6. Olá Sr Adriano

    Obrigada pelo seu comentário e pela sua presença

    O “nascimento” da espiritualidade, não é de súbito; é antes uma progressão gradativa.Entretanto, mais cedo ou mais tarde, haverá o “dia do nascimento”, que é quando tomamos consciência de algo maior que nós,em consciência também.Outros nascimentos espirituais são decorrentes do crescimento natural no Amor, do reconhecimento dos valores supremos, com enaltecimento da experiência espiritual individual, ainda que nenhum desenvolvimento espiritual ocorra sem um esforço consciente e positivo desta determinação individual.Até aqui, não falamos em Plenum Cósmico/Deus. Quando o poder da ação do crescimento espiritual desperta em nós, ele é nutrido pelas nossas experiências pessoais, que vão tomando a forma da idéia que concebemos deste Plenum Cósmico/Deus, ocorrendo,então, nosso desenvolvimento gradual.Na ausência de ensinamentos errôneos(crenças limitadoras, culpas e medos de castigos divinos), nossa mente move-­se positivamente, quando surge a
    consciência espiritual, a qual nos leva na direção da retidão e do servir humanista.A percepção do Plenum Cósmico/Deus é gradativa e quanto menos bloqueios de crenças limitadoras e religião tivermos, melhor.
    Continue conosco e obrigada pelo incentivo ao nosso trabalho.A “dupla dinâmica” aqui, agradece.
    Muitas vibrações positivas da “luz é Invencível”
    Mônica

  7. Olá Mônica,

    Os ditos dominantes sempre nos levaram a acreditar em um deus limitado, e assim ficamos, agimos, e sentimos limitados. Gerações incorporaram essa crença, os mecanismos terrestres se estabeleceram por isso, contudo o DEUS PLENO não é nada disso.
    Inclusive somos produtos dessa crença limitante, se resolvemos sair dessa, bom ….saiba abraçar com firmeza esse propósito, pois você começará a enxergar as situações com uma visão microscópica, no começo tudo vai ser muito estranho, mas depois você começará a se acostumar ao se deparar com uma situação e imediatamente uma visão mais detalhada será apresentada.

    Paz, Luz e Força na Caminhada!

    Gratidão ao Belo Trabalho da dupla dinâmica e microscópica.

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