UMA VIAGEM AO CÉREBRO-Parte 14


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O SISTEMA LÍMBICO;O CENTRO DAS EMOÇÕES

Ao longo de sua evolução, o cérebro humano adquiriu três componentes que foram surgindo e se superpondo, tal qual em um sítio arqueológico : o mais antigo, situando-se embaixo, na parte infero-posterior; o seguinte, em uma posição intermediária e o mais recente, localizando-se anteriormente e por cima dos outros. São eles, respectivamente :
1 – O arquipálio ou cérebro primitivo, constituido pelas estruturas do tronco cerebral – bulbo, cerebelo, ponte e mesencéfalo, pelo mais antigo núcleo da base – o globo pálido e pelos bulbos olfatórios. Corresponde ao cérebro dos répteis , também chamado complexo-R, pelo neurocientista Paul MacLean

2 – O paleopálio ou cérebro intermediário (dos velhos mamíferos), formado pelas estruturas do sistema límbico. Corresponde ao cérebro dos mamíferos inferiores.

3 – O neopálio, também chamado cérebro superior ou racional (dos novos mamíferos), compreendendo a maior parte dos hemisférios cerebrais ( formado por um tipo de córtex mais recente, denominado neocórtex) e alguns grupos neuronais subcorticais. É o cérebro dos mamíferos superiores, aí incluídos os primatas e, consequentemente, o homem. Essas três camadas cerebrais foram aparecendo, uma após a outra, durante o desenvolvimento do embrião e do feto (ontogenia), recapitulando, cronologicamente, a evolução (filogenia) das espécies, do lagarto até o homo sapiens.

Na verdade, são três unidades cerebrais constituindo um único cérebro. A unidade primitiva é responsável pela autopreservação. É aí que nascem os mecanismos de agressão e de comportamento repetitivo. É aí que acontecem as reações instintivas dos chamados arcos reflexos e os comandos que possibilitam algumas ações involuntárias e o controle de certas funções víscerais (cardíaca, pulmonar, intestinal, etc), indispensáveis à preservação da vida.

O desenvolvimento dos bulbos olfatórios e de suas conexões tornou possivel uma análise precisa dos estímulos olfativos e um aprimoramento das respostas orientadas por odores, como aproximação, ataque, fuga e acasalamento. No curso da evolução, parte dessas funções reptilianas foram sendo perdidas ou minimizadas (em humanos, a amígdala e o córtex entorrinal são as únicas estruturas límbicas que mantêm projeções para o sistema olfatório). É também aí, no complexo-R, que se esboçam as primeiras manifestações do fenômeno de ritualismo, através do qual o animal visa marcar posições hierárquicas no grupo e estabelecer o próprio espaço em seu nicho ecológico (delimitação de território).

AS PRIMEIRAS PESQUISAS

Em 1878, o neurologista francês Paul Broca observou que, na superfície medial do cérebro dos mamíferos, logo abaixo do cortex, existe uma região constituída por núcleos de células cinzentas (neurônios), a qual ele deu o nome de lobo límbico (do latim limbus, que traduz a idéia de círculo, anel, em torno de, etc), uma vez que ela forma uma espécie de borda ao redor do tronco encefálico (em outra parte desse texto escreveremos mais sobre esses núcleos). Esse conjunto de estruturas, mais tarde denominado sistema límbico, surgiu com a emergência dos mamíferos inferiores (mais antigos). É ele que comanda certos comportamentos necessários à sobrevivência de todos os mamíferos. Que também cria e modula funções mais específicas, as quais permitem ao animal distinguir entre o que lhe agrada ou desagrada. Aquí se desenvolvem funções afetivas, como a que induz as fêmeas a cuidarem atentamente de suas crias, ou a que promove a tendência desses animais a desenvolverem comportamentos lúdicos (gostar de brincar). Emoções e sentimentos, como ira, pavor, paixão, amor, ódio, alegria e tristeza, são criações mamíferas, originadas no sistema límbico. Este sistema é também responsável por alguns aspectos da identidade pessoal e por importantes funções ligadas à memória. E, com a chegada dos mamíferos superiores ao planeta, desenvolveu-se, finalmente, a terceira unidade cerebral : o neopálio ou cérebro racional, uma rede complexa de células nervosas altamente diferenciadas, capazes de produzirem uma linguagem simbólica, assim permitindo ao homem desempenhar tarefas intelectuais como leitura, escrita e cálculo matemático. O neopálio é o gerador de idéias ou, como diz Paul MacLean – ” ele é a mãe da invenção e o pai do pensamento abstrato”.

As Estruturas Cerebrais na Formação das Emoções

É importante destacar que as estruturas envolvidas com a emoção se interligam intensamente e que nenhuma delas é exclusivamente responsável por este ou aquele tipo de estado emocional. No entanto, algumas contribuem mais que outras para esse ou aquele determinado tipo de emoção Assim, veremos, uma a uma, aquelas sobre as quais mais se conhece.

Amigdala

È uma pequena estrutura em forma de amêndoa, situada dentro da região antero-inferior do lobo temporal, se interconecta com o hipocampo, os núcleos septais, a área pré-frontal e o núcleo dorso-medial do tálamo. Essas conexões garantem seu importante desempenho na mediação e controle das atividades emocionais de ordem maior, como amizade, amor e afeição, nas exteriorizações do humor e, principalmente, nos estados de medo e ira e na agressividade. A amigdala é fundamental para a auto-preservação, por ser o centro identificador do perigo, gerando medo e ansiedade e colocando o animal em situação de alerta, aprontando-se para se evadir ou lutar. A destruição experimental das amigdalas ( são duas, uma para cada um dos hemisférios cerebrais) faz com que o animal se torne dócil, sexualmente indiscriminativo, afetivamente descaracterizado e indiferente às situações de risco. O estímulo elétrico dessas estruturas provoca crises de violenta agressividade. Em humanos, a lesão da amígdala faz, entre outras coisas, com que o indivíduo perca o sentido afetivo da percepção de uma informação vinda de fora, como a visão de uma pessoa conhecida. Ele sabe quem está vendo mas não sabe se gosta ou desgosta da pessoa em questão.

Hipocampo

Está particularmente envolvido com os fenômenos de memória, em especial com a formação da chamada memória de longa duração (aquela que persiste, as vezes, para sempre). Quando ambos os hipocampos ( direito e esquerdo) são destruídos, nada mais é gravado na memória. O indivíduo esquece, rapidamente, a mensagem recém recebida. Um hipocampo intacto possibilita ao animal comparar as condições de uma ameaça atual com experiências passadas similares, permitindo-lhe, assim, escolher qual a melhor opção a ser tomada para garantir sua preservação.

Tálamo

Lesões ou estimulações do núcleo dorso-medial e dos núcleos anteriores do tálamo estão correlacionadas com alterações da reatividade emocional, no homem e nos animais. No entanto, a importância desses núcleos na regulação do comportamento emocional possívelmente decorre, não de uma atividade própria, mas das conexões com outras estruturas do sistema límbico.

Hipotálamo.

Esta estrutura tem amplas conexões com as demais áreas do prosencéfalo e com o mesencéfalo. Lesão dos núcleos hipotalámicos interferem com diversas funções vegetativas e com alguns dos chamados comportamentos motivados, como regulação térmica, sexualidade, combatividade, fome e sede. Aceita-se que o hipotálamo desempenha, ainda, um papel nas emoções.Específicamente, as partes laterais parecem envolvidas com o prazer e a raiva, enquanto que a porção mediana parece mais ligada à aversão, ao desprazer e `a tendência ao riso (gargalhada) incontrolável. De um modo geral, contudo, a participação do hipotálamo é menor na gênese do que na expressão (manifestações sintomáticas) dos estados emocionais. Quando os sintomas físicos da emoção aparecem, a ameaça que produzem, retorna, via hipotálamo, aos centros límbicos e, destes, aos núcleos pré-frontais, aumentando, por um mecanismo de “feed-back” negativo, a ansiedade, podendo até chegar a gerar um estado de pânico. O conhecimento desse fenômeno tem, como veremos adiante, importante sentido prático, dos pontos de vista clínico e terapêutico.

Giro Cingulado

Situado na face medial do cérebro, entre o sulco cingulado e o corpo caloso (principal feixe nervoso ligando os dois hemisférios cerebrais). Há ainda muito por conhecer a respeito desse giro, mas sabe-se que a sua porção frontal coordena odores, e visões com memórias agradáveis de emoções anteriores. Esta região participa ainda, da reação emocional à dor e da regulação do comportamento agressivo. 

Tronco Cerebral

O tronco cerebral é a região responsável pelas “reações emocionais”, na verdade, apenas respostas reflexas, de vertebrados inferiores, como os répteis e os anfíbios. As estruturas envolvidas são a formação reticular e o locus cérulus, uma massa concentrada de neurônios secretores de nor-epinefrina. É importante assinalar que, até mesmo em humanos, essas primitivas estruturas continuam participando, não só dos mecanismos de alerta, vitais para a sobrevivência, mas também da manutenção do ciclo vigília-sono.Outras estruturas do tronco cerebral, os núcleos dos pares cranianos, estimuladas por impulsos provenientes do cortex e do estriado (uma formação subcortical), respondem pelas alterações fisionômicas dos estados afetivos : expressões de raiva, alegria, tristeza, ternura, etc.

Área tegmental ventral

Na parte mesencefálica (superior) do tronco cerebral existe um grupo compacto de neurônios secretores de doapmina – área tegmental ventral – cujos axônios vão terminar no núcleo accumbens, (via dopaminérgica mesolímbica). A descarga espontânea ou a estimulação elétrica dos neurônios desta última região produzem sensações de prazer, algumas delas similares ao orgasmo. Indivíduos que apresentam, por defeito genético, redução no número de receptores das células neurais dessa área, tornam-se incapazes de se sentirem recompensados pelas satisfações comuns da vida e buscam alternativas “prazeirosas” atípicas e nocivas como, por exemplo, alcoolismo, cocainomania, compulsividade por alimentos doces e pelo jogo desenfreado.

Septo

Anteriormente ao tálamo, situa-se a área septal, onde estão localizados os centros do orgasmo (quatro para a mulher e um para o homem). Certamente por isto, esta região se relaciona com as sensações de prazer, mormente aquelas associadas às experiências sexuais.

Área Pré-frontal

A área pré-frontal compreende toda a região anterior não motora do lobo frontal. Ela se desenvolveu muito, durante a evolução dos mamíferos, sendo particularmente extensa no homem e em algumas espécies de golfinhos. Não faz parte do circuito límbico tradicional, mas suas intensas conexões bi-direcionais com o tálamo, amigdala e outras estruturas sub-corticais, explicam o importante papel que desempenha na gênese e, especialmente, na expressão dos estados afetivos. Quando o cortex pré-frontal é lesado, o indivíduo perde o senso de suas responsabilidades sociais, bem como a capacidade de concentração e de abstração. Em alguns casos, a pessoa, conquanto mantendo intactas a consciência e algumas funções cognitivas, como a linguagem, já não consegue resolver problemas, mesmo os mais elementares. Quando se praticava a lobotomia pré-frontal, para tratamento de certos distúrbios psiquiátricos, os pacientes entravam em estado de “tamponamento afetivo”, não mais evidenciando quaisquer sinais de alegria, tristeza, esperança ou desesperança. Em suas palavras ou atitudes não mais se vislumbravam quaisquer resquícios de afetividade.

Estados Afetivos

Talvez pela intensa malha de conexões entre a área pré-frontal e as estruturas límbicas tradicionais, a espécie humana é aquela que apresenta a maior variedade de sentimentos e emoções. Embora alguns indícios de afetividade sejam percebidos entre os pássaros, o sistema límbico só começou a evoluir, de fato, a partir dos primeiros mamíferos, sendo praticamente inexistente em répteis e anfíbios e em todas as outras espécies que os precederam.Aliás, fica difícil imaginar um ser mais solitário e emocionalmente mais vazio do que um crocodilo. Dois comportamentos, com conotação afetiva, surgidos com o advento dos mamíferos (os pássaros também os exercem, mas com menor intensidade), merecem ser destacados, pela sua peculiaridade : o especial e prolongado cuidado das fêmeas para com seus filhotes e a tendência à brincadeira. E quanto mais evoluído o mamífero, mais acentuados são esses comportamentos.Já a ablação de partes importantes do sistema límbico (as experiências foram feitas com hamsters) faz com que o animal perca tanto a afetividade maternal quanto o interesse lúdico. E a evolução dos mamíferos nos traz até o homem : O nosso antepassado hominídeo certamente diferenciava as sensações que experimentava em ocasiões distintas, como estar em sua caverna polindo uma pedra, correndo atrás de um animal mais fraco, fugindo de um animal mais forte ou caçando uma fêmea da sua espécie.

2A IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM

Com o desenvolvimento da linguagem, nomes foram atribuídos a essas e a outras sensações, permitindo sua delimitação e explicitação a outros membros do grupo. Porém, até hoje, dada a existência de um componente subjetivo importante, difícil de ser comunicado, não existe uniformidade quanto a melhor terminologia a ser empregada para designar essas sensações. Assim é que utiliza-se, de maneira imprecisa e intercambiável, quase como sinônimos, os termos afeto, emoção e sentimento. Entretanto, assim pensamos, a cada uma dessas palavras deve ser atribuída uma definição precisa, em respeito à etimologia e às diferentes reações físicas e mentais que produzem. Afeto (do Latim affectus, significando afligir, abalar, atingir) é definido por Aurélio como sendo “um conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos ou paixões, acompanhadas sempre da impressão de prazer ou dor, de satisfação ou insatisfação, agrado ou desagrado, alegria ou tristeza” , Curiosamente, existe uma tendência universal para só considerar como afeto (e seus derivados, afetividade, afeição, etc) as impressões positivas.

Assim, ao se dizer “sinto afeto por fulana” estou manifestando amor ou carinho; nunca raiva ou medo. Já em relação às emoções e sentimentos, o uso se aplica nos dois sentidos : “ela tem bons sentimentos; eu tenho sentido emoções desagradáveis.” No dizer de Nobre de Melo, os afetos designam, genericamente, situações vivenciadas, sob a forma de emoções ou de sentimentos. Emoções (do Latim emovere, significando movimentar, deslocar) são, como sua própria etmologia sugere, reações manifestas frente àquelas condições afetivas que, pela sua intensidade, mobilizam-nos para algum tipo de ação.

O DESEQUILÍBRIO DAS EMOÇÕES

Confrontando a opinião de vários autores, podemos dizer que as emoções se caracterizam por uma súbita ruptura do equilíbrio afetivo. Quase sempre são episódios de curta duração, com repercussões concomitantes ou consecutivas, leves ou intensas, sobre diversos órgãos, criando um bloqueio parcial ou total da capacidade de raciocinar com lógica. Isto pode levar a pessoa atingida a um alto grau de descontrole psíquico e comportamental. Por contraste, os sentimentos são tidos como estados afetivos mais duráveis, causadores de vivências menos intensas, com menor repercussão sobre as funções orgânicas e menor interferência com a razão e o comportamento. Exemplificando : amor, medo e ódio são sentimentos; paixão. pavor e cólera (ou ira) são emoções.

1O HUMOR

Existem, ainda, duas condições bem caracterizadas que, de certa forma, estão inseridas no contexto da vida afetiva, posto que, dependendo da intensidade dos afetos, elas podem resultar destes e, as vezes, com eles se confundirem. Estamos nos referindo aos distúrbios do humor, representados pelas depressões e euforias maníacas e a diminuição do estado de relaxamento mental com reação de alerta, representada pela ansiedade. Ao longo dos séculos, filósofos, médicos e psicólogos estudaram os fenômenos da vida afetiva, questionando sua origem, seu papel sobre a vida psíquica, sua ação favorecedora ou prejudicial à adaptação, seus concomitantes fisiológicos e seu substrato neuroendócrino. As manifestações afetivas teriam, como causa última, a capacidade da matéria viva de responder a estímulos sobre ela incidentes. Existem duas teorias clássicas e antagônicas sobre a questão. A primeira, defendida, por Darwin e seus seguidores, prega que as reações afetivas seriam padrões inatos destinados a orientar o comportamento, com a finalidade de adaptar o ser ao meio ambiente e, assim, assegurar-lhe a sobrevivência e a da sua espécie.

AS ALTERAÇÕES NO ORGANISMO

Os distúrbios orgânicos que podem acompanhar o processo, seriam apenas uma consequência de natureza fisiológica. Em oposição, outros afirmam que, diante de um determinado estímulo, real ou imaginado, o organismo reagiria com uma série de alterações neurovegetativas, musculares e víscerais. A percepção de tais alterações originaria estados afetivos correspondentes. E existe uma terceira posição, mais moderna, que propõe soluções de compromisso entre as duas teorias clássicas. É o caso de Lehmann, o qual afirma que o afeto é um fenômeno complexo, que se inicia por um processo central, a partir de uma causa interna ou externa. Ele se manifesta como uma alteração do “eu” e pode desencadear movimentos reflexos faciais e variadas alterações orgânicas.À medida que os sintomas corporais aumentam de intensidade, o afeto torna-se mais mobilizador e se define como uma emoção. Esta idéia encontra sustentação  no tratamento de pacientes com fobias de desempenho, os quais, diante de situações que temem (falar em público, por exemplo), apresentam palpitações, suores, dificuldade de respirar, etc. Betabloqueadores que não atravessam a barreira hemato-encefálica, e portanto, não agem sobre centros cerebrais e sim na periferia, bloqueando os fenômenos neurovegetativos, “esvaziam” a ansiedade, permitindo maior controle da fobia.

A RAZÃO

Divergem ainda as opiniões quanto a relação entre os estados afetivos e a razão. Algumas correntes filosóficas e religiosas consideram os aspectos afetivos da personalidade como inferiores, negativos ou pecaminosos, necessitando ser controlados e dominados pela razão,ao contrário dos sentimentos, que seriam úteis, permitindo aos seres humanos estimar o valor das coisas às quais deve adaptar-se, distinguindo o benéfico do nocivo. A análise das reações corporais nas emoções evidenciam que a pessoa não realiza movimentos adaptativos, mas, ao contrário, reações que lembram instintos primitivos indefinidos.Longe de ser o lado psíquico de um instinto, a emoção representa uma confusão desse instinto;Outros neurocientistas, porém, consideram as reações afetivas como fatores favorecedores da adaptação e da sobrevivência, induzindo determinadas condutas e inibindo outras.

NO LIMITE DAS EMOÇÕES

Para eles, mesmo emoções intensas, tidas como desorganizadoras, poderiam favorecer a sobrevivência, porque a desorganização seria seletiva, eliminando algumas ações mas permitindo que outras acontecessem. A nosso ver, quando dentro de determinados limites, a participação afetiva reforça o componente cognitivo, dando maior sabor às vivências do cotidiano e facilitando os comportamentos adaptativos. Contudo, acima do limite, as emoções comprometem a capacidade de raciocínio ,como ressalta Damásio em “O Erro de Descartes”, a afetividade escasseia, empobrecendo a vida.

SEXOS MASCULINO E FEMININO E O  CÉREBRO-~por Dr Drauzio Varella

Os neurônios das mulheres formam circuitos com os quais nem sonha a filosofia masculina. E vice-versa.A anatomia do sistema nervoso e as particularidades dos sinais bioquímicos mediadores das mensagens que trafegam pelo cérebro são moldadas pela ação dos hormônios sexuais desde os primeiros passos da vida embrionária.O advento da ressonância magnética funcional e de outras técnicas de imagem através das quais podemos obter imagens do cérebro em funcionamento, permitiu demonstrar que as áreas cerebrais ativadas na execução de determinada tarefa por mulheres ou homens, não são exatamente as mesmas.Tão importante quanto as influências culturais a que estamos sujeitos desde a mais tenra idade, essa assimetria sexual na arquitetura dos circuitos de neurônios explica diferenças de aptidões, habilidades e o padrão dos distúrbios mentais característicos de cada sexo.As mulheres, por exemplo, estão mais sujeitas a quadros de depressão, de anorexia e a distúrbios de ansiedade. Os homens exibem comportamento antissocial, abusam de drogas e desenvolvem esquizofrenia com maior frequência. Tentativas fracassadas de suicídio são mais comuns no sexo feminino; as que resultam em óbito, no masculino.Distúrbios que afetam as emoções acontecem com maior prevalência nas mulheres. Eles incluem os quadro de depressão e os distúrbios de ansiedade (síndrome do pânico, estresse pós-traumático, distúrbio de ansiedade generalizada, fobias e distúrbios alimentares).Em relação aos homens, a prevalência de depressão nas mulheres é duas vezes maior; a de estresse pós-traumático, quatro vezes; a de fobias, duas vezes; a de síndrome do pânico, três vezes; a de anorexia nervosa, dez vezes.

ANSIEDADE E DEPRESSÃO

Ansiedade e depressão são fenômenos bioquimicamente relacionados. Experiências negativas provocam liberação de neurotransmissores capazes de modular impulsos nervosos que disparam o estresse, mecanismo fortemente influenciado pelos hormônios sexuais. Níveis baixos ou muito elevados de estrogênio causam quadros depressivos em mulheres suscetíveis. A testosterona protege contra os efeitos deletérios das experiências negativas e da depressão por reduzir a liberação de cortisol, hormônio produzido pelas suprarrenais na elaboração do mecanismo de estresse.A sensação de medo ativa a resposta ao estresse com mais intensidade no sexo feminino. Em testes nos quais espectadores de ambos os sexos são colocados diante de imagens assustadoras, as mulheres apresentam aumento mais intenso da frequência cardíaca e da sudorese nas mãos, e maior ativação de uma área cerebral denominada amígdala, estrutura central na configuração das reações ao medo.A qualidade da experiência negativa provoca reações particulares segundo o sexo. Por exemplo, testes em que mulheres e homens devem executar tarefas intelectuais diante de uma banca de examinadores, levam à maior produção de cortisol, o hormônio do estresse, em homens. Já nos testes de “rejeição social” em que homens e mulheres são excluídos do grupo pelos examinadores, as mulheres liberam concentrações mais altas de cortisol. A tendência masculina é de reagir ao estresse com impulsos de agressividade e de expressar com clareza as insatisfações, enquanto as mulheres tendem a ser mais contidas. A diferença de tendências coloca-as em risco de desenvolver depressão, ansiedade e distúrbios alimentares, enquanto nos homens o risco é de violência e abuso de drogas.Experiências em seres humanos e outros primatas mostram que o aumento súbito dos níveis de testosterona na puberdade masculina coincide com a instalação de comportamentos agressivos e atitudes antissociais. Os ovários também produzem testosterona, mas em concentrações 20 vezes menores. Quando as mulheres fazem uso de testosterona tornam-se mais agressivas.Como nenhum fenômeno biológico encontra sentido se não for analisado à luz da evolução, a justificativa para a diversidade sexual dos distúrbios mentais mencionados deve ser procurada no passado remoto de nossa espécie. Nas fêmeas, a pronta ativação dos circuitos cerebrais envolvidos nas reações ao medo certamente terá sido útil na hora de fugir do perigo para proteger a prole. Nos machos, a agressividade foi crucial nas disputas de território e nas lutas pela posse das fêmeas.

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REFERÊNCIA ACADÊMICA DAS PESQUISAS;

Júlio Rocha do Amaral, MD – Professor de farmacologia clínica, anatomia e fisiologia . Gerente Médico Científico da Merck S/A Indústrias Químicas. Redator de manuais didáticos sobre anatomia, fisiologia e farmacologia para uso da Merck. Supervisor de editoração das publicações científicas: Senecta, Galenus e Sinapse. Redator de protocolos e relatórios de pesquisas clínicas de produtos, a partir de 1978. Coordenador adjunto dos cursos de formação de especialistas em Oxidologia, promovidos pelo Instituto da Pessoa Humana (IPH) e Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO). Chefe do Serviço de Psiquiatria do Departamento de Neurociências do Instituto da Pessoa Humana (IPH). Co-autor do livro ‘Princípios de Neurociências, entre outros. Co-autor do livro “Princípios de Neurociências”, entre outros. Email:julioamaral@olimpo.com.br

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Dr Jorge Martins de Oliveira, MD, PhD -Professor Titular e Mestre da UFRJ. -Livre-Docente da UFF. Coordenador Científico e Diretor do Departamento de Neurociências do Instituto da Pessoa Humana (RJ). Fellow em Pesquisa pelo Saint Vincent Charity Hospital, Cleveland, USA. Membro Titular da Academia Brasileira de Medicina Militar. Membro da Academia Brasileira de Médicos Escritores, Diplomado pela Escola Superior de Guerra (ESG). Membro do Corpo Editorial da revista Cérebro & Mente. Autor de “Princípios de Neurociências”, entre diversos outros. Email: olivermarti@olimpo.com.br
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CONCLUSÃO E NOTA DO BLOG
A ciência da mente é herdeira do reino unido da emoção e da cognição. Chamar o estudo da cognição e da emoção de ciência cognitiva é fazer-lhe um desserviço, afirma o autor Joseph LeDoux, que é professor do Centro de Ciência Neurológica da New York University e descreve em seu livro a pesquisa pioneira sobre a natureza e a origem das emoções, certamente de forma crítica e querendo na realidade chamar a atenção de forma enfática para essa questão primordial. É um alerta para a questão separatista que ele, como pesquisador das emoções, considera altamente relevante. Ele continua sua narrativa ainda explorando seu ponto de vista demonstrando que na questão das emoções ao contrário da cognição, há uma maquina biológica – o cérebro que nem sempre funciona independentemente do corpo. A maioria das emoções envolve reações físicas, porém não existe esse tipo de relação entre cognições e ações. A cognição permite-nos decidir como reagimos em determinada situação. Nas emoções, as respostas corporais constituem parte integrante no processo global da emoção; As emoções se desenvolveram como especializações fisiológicas e comportamentais, reações físicas controladas pelo cérebro, que possibilitaram aos organismos ancestrais a sobrevivência em ambientes hostis e a procriação. A impossibilidade de um computador ter emoções é devido a falta de uma historicidade que é resultado de muitas eras de evolução biológica. Apesar de a ciência cognitiva ter tratado as emoções com desatenção, os cientistas que se dedicam ao assunto em nenhum momento tiveram desatenção aos cientistas que se dedicam ao estudo da cognição, em nenhum momento a ignoram. As emoções resultam das interpretações cognitivas das situações, e a atividade fisiológica deve ter uma representação cognitiva para que possa influenciar uma experiência emocional. O autor relata vários experimentos sobre a relação emoção e cognição. Em seu ponto de vista, as teorias tendem a considerar que uma delas ocorre de modo inconsciente, uma vez que emoção e cognição são ações distintas. Após o hiato nas décadas de 60 a 70, surgiram interesses pelos processos emocionais inconscientes estimulados pelos estudos da reinterpretação da defesa perceptiva e da percepção subliminar. De que maneira os processos inconsciente ocorrem? O autor cita diversas pesquisas com o inconsciente emocional, que, indiscutivelmente, mostram que grande parte das atividades emocionais do cérebro acontecem no inconsciente emocional.LeDoux acredita que emoção e cognição são mais bem compreendidas como função mentais interativas, mas distintas, mediadas por sistemas cerebrais interativos embora distintos.LeDoux descreve com propriedade um histórico conceitual de pesquisas realizadas sobre as emoções até os dias atuais, reforçando suas próprias pesquisas com a emoção do medo e como é direcionada as pesquisas na atualidade. Seu conteúdo, nós da equipe recomendamos como um livro essencial para um estudo mais aprofundado  sobre o cérebro,das emoções, da consciência e do inconsciente emocional.
EQUIPE DA LUZ É INVENCÍVEL
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Livros O Estilo Emocional do Cérebro - Richard J. Davidson, Sharon Begley (8575428985)

Bibliografia para consulta

O CÉREBRO EMOCIONAL
Joseph LeDoux
 O Cérebro que se transforma
 Norman Doidge
O controle do cérebro-comande as emoções
Dr Getúlio Dornelles de Oliveira
Treine a mente e mude o cérebro
 Sharon Begley
 Como funciona o cérebro
Série mais ciência
 Vitalize seu cérebro
John Arden
 A cura do cérebro
Adriana Fóz

Nota:Biblioteca VirtualCONSULTE NOSSO CANAL DE VÍDEOS

Divulgação: A Luz é Invencível

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Um comentário em “UMA VIAGEM AO CÉREBRO-Parte 14

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