OS CIENTISTAS DA NOVA ERA-Antonio Damásio e a Neuropsicologia-O cérebro á procura da Alma-vigésima sétima parte

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“Os fenômenos mentais se integram verdadeiramente ao corpo tais como eu os visualizo, são capazes de dar lugar às mais altas operações, como aquelas que revelam a alma e o nível espiritual. Sob meu ponto de vista, não obstante, todo o respeito que devemos concordar em noção da alma, podemos dizer que por último esta reflete somente um estado particular e complexo do organismo”.

UMA BREVE BIOGRAFIA

O português Antônio Damásio, 69 anos, é um dos maiores nomes da neurociência na atualidade. Radicado nos Estados Unidos desde a década de 70, e professor da University of Southern California, em Los Angeles, onde dirige o Instituto do Cérebro e da Criatividade, ele conduziu pesquisas que ajudaram a desvendar a base neurológica das emoções, demontrando que elas têm um papel central no armazenamento de informações e no processo de tomada de decisões. Seus livros O Erro de Descartes (1994), O mistério da Consciência (1999), Em Busca de Espinosa (2003) e E o Cérebro Criou o Homem (2009), todos publicados no Brasil pela Cia. das Letras, tratam principalmente do papel das emoções e sentimentos na razão humana e quais são os processos que produzem o fenômeno da consciência.Diretor do departamento de neurologia da Universidade de Iowa (Estados Unidos) e professor no Instituto Salk para estudos biológicos (Jolla, Califórnia),o sobrenomearam “O Toscano da Neuropsicologia” livre pela essência de seu passo intelectual: reunindo diretamente as preocupações atuais da pesquisa em seu domínio, ele tenta após anos descobrir os mistérios da consciência e das faculdades mentais superiores, a fim de, talvez, melhor discernir sobre as noções ambíguas do espírito ou da alma. Originalidade de sua obra: jamais recorrer à simples experiência, como faz hoje a maior parte de seus homólogos, mas tirar sobretudo as conclusões da observação atenta desses casos “naturais”, quer dizer, não fabricar para o homem passos audaciosos e a imaginação pelo grande cirurgião e antropólogo francês, Paul Broca, há um século e meio. Submeter assim nossa compreensão ao mais precioso de nossos órgãos;o cérebroAntônio e sua mulher Hanna (que trabalha com ele e divide as mesmas paixões, e a quem deve uma boa parte de seu sucesso) todos os dois nasceram em Portugal, e obtiveram seus diplomas na faculdade de medicina da Universidade de Lisboa. Após terminarem suas teses, partiram para os Estados Unidos. “Há vinte anos, explicam eles, foi o último lugar onde pudemos fazer a pesquisa”.Resultado: em 1992, Antônio e Hanna receberam o prêmio Pessoa, a mais alta distinção intelectual de Portugal, pela sua contribuição a cartografia do cérebro. A presença de sua mulher, na cidade de Iowa, longe em primeira instância das grandes mecas da pesquisa Americana, representou um papel determinante na carreira de Antônio Damasio. No coração de Midwest, um imenso Hospital da Universidade de Iowa recebeu em decorrência de doenças de todos os tipos, pouco menos que o relativamente escolhido para as megalópoles universitárias. O departamento de neuropsicologia também pôde notar os múltiplos casos fascinantes. Junto de Damasio pudemos reunir uma coleção de mais de 2.000 doenças registradas em função de seus problemas (ataques, infecções, traumatismos, tumores e outros acidentes cerebrais).

Damasio se recorda desde a infância do aprendizado segundo o qual a gente não pode tomar uma sábia decisão a não ser com calma. “De outro modo, disse, precisa-se, havia aprendido, que as emoções e a razão não podem mais se unir, assim como a água e o óleo. Portanto, confiante, fui confrontado um dia com o ser humano, o mais frio, o menos emotivo que se podia imaginar, ou, apesar de sua inteligência, sua faculdade de raciocínio fosse assim perturbado, nas circunstâncias variadas da vida cotidiana, ele se conduzia de todas as maneiras errôneas, fazendo agir perpetuamente pelo oposto daquilo que teria considerado como socialmente apropriado e como vantagem para ele”.

A voz da consciência. Damásio e a festa movediça dos pensamentos

Damásio propõe um modelo para explicar a consciência humana, que se formaria em três níveis: o “protosself”, o “self central”, desenvolvidos na infância, e o “self autobiográfico”, que segundo ele seria um “trabalho em andamento”, fruto do acúmulo de nossas experiências e reflexões sobre o mundo.

O “self” pode ser entendido como a consciência do eu e do mundo ao redor, a unidade central e reguladora do que somos, sentimos e vivemos. Em seu quarto livro, “E o Cérebro Criou o Homem” Damásio, aprofunda seu mergulho na sinfonia  – ou, em suas palavras, na “festa movediça” de imagens, memórias e sentimentos que é a consciência humana. No livro, ele prossegue sua ambiciosa investigação sobre o papel do corpo e de nossa origem animal nas representações mentais, e propõe tese pioneira ao apontar o tronco cerebral, e não o córtex pré-frontal, como centro da consciência.

“Procuro articular a forma como os sentimentos são fundamentais na construção da consciência, tanto do que somos quanto do que está a nossa volta”, disse o autor em entrevista à Folha, concedida por telefone, em seu gabinete na Universidade do Sul da Califórnia, onde coordena o Instituto de Cérebro e Criatividade.Neodarwinista e ex-pupilo de Norman Geschwind, o pai da neurologia comportamental, Damásio reconhece que é preciso ter fé na ciência e acredita em tratamentos médicos e espirituais combinados.

Eis a entrevista.

1-Em que sentido “E o Cérebro Criou o Homem” complementa “O Erro de Descartes”?

AD-Em vários sentidos. “O Erro de Descartes” teve muito a ver com o problema fundamental da emoção e a maneira como ela influencia as nossas decisões. Este livro também fala sobre isso, mas procuro articular a forma como os sentimentos são fundamentais na construção da consciência, tanto do que somos quanto do que está ao redor. Eu me aprofundo mais nas origens da mente, nos sentimentos básicos e na consciência.

2-Mas, se a consciência é fundamental para tomarmos conhecimento do mundo, estava Descartes (1596-1650) realmente tão equivocado?

AD-Sim, pois são os sentimentos básicos que nos permitem ter consciência. Eles são os alicerces da nossa realidade refletida. Depois vêm a linguagem, o raciocínio complexo e toda a criatividade. “Penso, logo existo” dá uma impressão falsa de que só os seres que têm capacidade de pensar podem existir, mas, muito antes de haver pensamento, já existiam seres que sentem seus próprios corpos, sentem suas vidas e, portanto, existem. O correto seria “tenho sentimentos, logo existo”.

3-A linguagem seria a unidade fundamental da consciência?

AD-Existem muitos outros aspectos associados com a memória, com o raciocínio complexo e eventualmente com a linguagem e com o raciocínio baseado na linguagem. Um cão ou um chimpanzé são capazes de raciocinar até muito bem. No entanto, eles não têm linguagem como nós temos, o que nos permite explicar nossas ideias e nos comunicar uns com os outros.

4-Essa relação de continuidade estaria explícita na sua tese de que o tronco cerebral, estrutura mais primitiva do que a região cortical, seria o centro da consciência?

AD-Exatamente. Um dos pontos fundamentais do livro é mostrar como entender a consciência como função cortical é pensar ao contrário. É como construir um edifício a partir do 20º andar, quando, na verdade, deve-se começar pelo alicerce. E o tronco cerebral é o alicerce da consciência e do sentir. Só depois vêm muitos andares, onde as funções tornam-se mais complexas. E, quando se chega ao córtex cerebral, as coisas tornam-se de fato muito complexas.

5-Se é tão óbvio, por que tanta demora em chegar a essa conclusão?

AD-É interessante que essa constatação seja baseada em muitos dados que já existiam. O deslumbramento com o córtex cerebral é fruto de uma era das neurociências que está prestes a acabar. Isso poderia ter sido concluído há mais tempo, mas as pessoas ainda se deixam levar pelo fascínio pelo córtex cerebral, afinal, é a estrutura mais distintamente humana e induz a concluir que aquilo que é mais complexo é, portanto, humano. O que não significa que seja o sítio onde começa a humanidade.

6-Desse processo advêm as três instâncias do self que o sr. propõe?

AD-Com certeza. Há um protosself, extremamente simples e primordial. Depois, há um self central, que é um pouco mais complexo e compartilhado com vários animais. Por fim, há o self autobiográfico, que é sobretudo humano.
É aquilo que todos nós compreendemos, pois nos dá uma história própria. Distingue aquilo vivemos, aquilo que pensamos e, portanto, nos dá noção de que somos seres únicos. Essa, sim, depende do córtex cerebral. Para chegar a esse estágio, todas as partes do cérebro trabalham colaborativamente.

7-Quando essas propriedades do self se manifestam no processo de desenvolvimento de uma criança?

AD-O protosself e o self central desenvolvem-se rápidamente após o nascimento. Um bebê com um ano tem o protosself e o começo do self nuclear. O self autobiográfico só se desenvolve entre os 18 meses e os dois anos de idade. Há quem diga que demora mais que isso, porque muito poucas pessoas têm memórias de quando tinham essa idade.O self autobiográfico é um trabalho em andamento. O self que eu tenho hoje é completamente diferente do que eu tinha aos 12 anos. Vai ganhando mais profundidade por causa do acúmulo de experiência em decorrência da nossa análise dessa vivência, pois constantemente analisamos e repensamos aquilo que nós somos.

8-O seu livro não emite conclusões fechadas, mas reconhece que a consciência é uma somatória de fatores. Ainda será possível mapear todas as funções cerebrais?

AD-Sem dúvida nenhuma vamos avançar cada vez mais. Só é preciso ter alguma modéstia para reconhecer que jamais poderemos mapear o homem completamente. Não podemos nos esquecer de que, quando nos ocupamos do ser humano, estamos olhando para algo extremamente belo e complexo. Só se fôssemos muito presunçosos poderíamos pensar que vamos explicar tudo isso.Ficamos contentes quando avançamos, mas sempre haverá algo a explicar. Acho bom que algo complexo como o ser humano não seja, nem será em cem anos, completamente explicável. Há de se esperar com paciência e modéstia.

9-Se isso ocorresse, o homem poderia passar a induzir, em si mesmo ou nos outros, estados de consciência?

AD-Sou um otimista. É claro que é preciso ficar atento para não deixar que o conhecimento seja usado para finalidades vis. É interessante pensar que, quanto mais soubermos sobre isso, mais poderemos usufruir desses avanços a nosso favor. É preciso pensar como esse tipo de conhecimento traz mais benefícios do que malefícios.

10-O sr. é a favor do uso de psicofármacos?

AD-Tudo o que puder ajudar alguém a deixar de sofrer é de grande serventia. A depressão, por exemplo, é causa de grande sofrimento. E não deve ser combatida só com medicamentos. É preciso, antes de mais nada, entender o que se passa e refletir sobre isso. Algumas causas estão relacionadas ao cérebro, outras ao ambiente e muitas vêm dos dois. Precisamos atacar as duas frentes.

11-O sr. é um dos principais representantes do neodarwinismo, como o biólogo Richard Dawkins ou o etólogo Desmond Morris. No entanto, não levanta a bandeira do ateísmo.

AD-Tenho admiração por trabalhos de ambos. Mas não me identifico com a apresentação pública deles.Não sinto necessidade nenhuma de declarar minha orientação religiosa. As pessoas não têm nada a ver com o que acredito. Sempre que alguém usa a ciência para tentar impor suas crenças, me parece algo excessivo e deslocado. Ainda sabemos tão pouco que não temos como fazer pronunciamentos sobre problemas tão profundos quanto crenças e as razões do universo. As pessoas podem ter opiniões, mas não devem dizer aos outros o que pensar.

12-Ciência e religião têm uma coisa em comum: a fé. Em qual o sr. acredita?

AD-Ambas precisam de fé. Mas, para ser coerente com a minha resposta anterior, prefiro não me pronunciar quanto às minhas crenças religiosas.

13-Como médico, aceita que a religião seja usada no tratamento?

AD-Desde que a pessoa tenha consciência do que está fazendo, não vejo problema nenhum em que ela concilie as duas coisas.

FONTE;Jornal Folha de S. Paulo, 06-11-2011.

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AS EMOÇÕES NOS AJUDAM A PENSAR CERTO

Para todos os seus colegas, esta teoria é uma das maneiras mais originais da neurologia nos últimos anos. É um aspecto essencial de alto nível de complexidade existente no humano que se põe em relevo nessas pesquisas. À grosso modo, isto significa simplesmente que nós “pensamos com o nosso corpo”. Que as emoções são literalmente “corporalizadas”. Uma visão da natureza humana que Freud e a psicanálise não desmentirão sem dúvida..Antônio Damasio explica: “Quando nós somos confrontados a escolher, o que se passa? Fazemos um tipo de análise de custos e benefícios, olhamos todas as opiniões, pegamos um lápis e começamos a calcular. O que se passa se eu fizer assim ou assado? Se utilizar este único método – mesmo para tomar uma simples decisão? Há tantas possibilidades, tantos resultados intermediários, que para decidir se você aceita jantar comigo esta noite, lhe será necessário pelo menos uma hora, ou, é provável que você possa responder a um convite por sim ou por não em alguns instantes. Por quê?”.

“Penso que nós somos talvez ajudados pelas emoções”, responde o neuropsicólogo. Se no decorrer de nossa vida temos de aprender o que é bom ou não para nós, seria apropriado, hoje e no futuro, desenvolvermos um tipo de guia automático. Eu chamei este mecanismo de marcador somático. É ele que ajuda a eliminar as opções piores, ou que, ao contrário, pode levar a uma escolha das conseqüências benéficas. Mas, estes famosos marcadores somáticos não estão de fato situados nos lóbulos frontais. Não se encontram na realidade, nestas regiões, meios de generalizar os marcadores somáticos. “É o que eu chamo uma zona de convergência”, precisa Damasio.Esta constata as conexões entre certos estados do corpo e de uma dada situação. Até a zona de convergência ser ativada, uma multidão de ordens partem em direção à amídala, ao tronco cerebral, ao hipotálamo, para criar um estado particular então apresentado no córtex somato-sensorial. “E este serve de marcador. É tudo simplesmente o estado que qualifica uma imagem ou uma situação particular”.Após vários meses então, Damasio tenta mudar sua teoria dos marcadores somáticos. E este, ao estudar a resposta epidérmica às emoções graças aos testes de “condutância cutânea”. O princípio é o mesmo que aquele dos detectores das mensagens: assim, quando contemplamos uma cena que nos afeta, certos elementos do nosso sistema nervoso preparam um aumento da quantidade de suor produzido pela pele, quase imperceptível, mas detectável se passar por uma fraca corrente elétrica.

Neurocientista português Antonio Damásio

“O homem está evoluindo para conciliar a emoção e a razão”

O neurocientista português António Damásio fala sobre como as emoções e sentimentos são essenciais ao influenciar a tomada de decisões e moldar a razão humana

Na introdução de seu último livro, O Cérebro criou o Homem, o senhor diz que acabou se desapontando com algumas de suas abordagens ao longo do tempo e decidiu começar seu trabalho de novo. Quais foram as descobertas que o levaram a repensar sua pesquisa?

AD-Ao longo desses anos todos, o estudo sobre a estrutura do cérebro avançou muito e ajudou a entender melhor certas operações, como a memória e a consciência. Além disso, por meio das minhas pesquisas pude perceber a importância das emoções e dos sentimentos na construção do nosso raciocínio. Para ter o que chamamos de consciência básica é preciso ter sentimentos. Isto é, é preciso que o cérebro seja capaz de representar aquilo que se passa no corpo e fora dele de uma forma muito detalhada. É daí que nasce a rocha sobre a qual a mente forma sua base e se edifica.

O que é a mente?

AD-Ela é uma sucessão de representações criadas através de sistemas visuais, auditivos, táteis e, muito frequentemente, das informações fornecidas pelo próprio corpo sobre o que está acontecendo com ele – quais músculos estão se contraindo, em que ritmo o coração está batendo e assim por diante. Em resumo: a mente é um filme sobre o que se passa no corpo e no mundo a sua volta.

AD-Qual a diferença entre emoção e sentimento?

A emoção é um conjunto de todas as respostas motoras que o cérebro faz aparecer no corpo em resposta a algum evento. É um programa de movimentos como a aceleração ou desaceleração do batimento do coração, tensão ou relaxamento dos músculos e assim por diante. Existe um programa para o medo, um para a raiva, outro para a compaixão etc. Já o sentimento é a forma como a mente vai interpretar todo esse conjunto de movimentos. Ele é a experiência mental daquilo tudo. Alguns sentimentos não têm a ver com a emoção, mas sempre têm a ver os movimentos do corpo. Por exemplo, quando você sente fome, isso é uma interpretação da mente de que o nível de glicose no sangue está baixando e você precisa se alimentar.

O senhor diz que as emoções desempenham um papel muito importante no desenvolvimento do raciocínio e na tomada de decisões. Que papel é esse?

AD-Há certas decisões que são evidentemente feitas pela própria emoção. Quando há uma situação de medo, ele aconselha um entre dois tipos de decisão: correr para longe do perigo ou permanecer quieto para não ser notado. Há também decisões muito mais complexas, como, por exemplo, aceitar ou não um convite para jantar. Nesse caso, a emoção tem um papel de primeiro conselheiro, um primeiro indicador do que se deve fazer. Você pode querer ir, mas ao mesmo tempo há qualquer coisa no comportamento da pessoa que o faz desconfiar de que ela pode não ser sincera. E o que é isto? É uma reação emotiva, a emoção participando da sua decisão.

Então é a emoção que nos fornece o que chamamos popularmente de instinto ou sexto sentido?

AD-Instinto é uma palavra que deve ser reservada para certas coisas muito fundamentais, como o instinto sexual ou de alimentação. Eu diria que a emoção fornece incentivos. As emoções, quer as positivas quer as negativas, podem ter uma enorme influência naquilo que nós pensamos. Mesmo as pessoas que se dizem muito racionais não podem separar as duas coisas. Por exemplo: imaginemos que um chefe esteja entrevistando uma pessoa para uma vaga. O currículo da pessoa é ótimo e as referências também, mas algo diz que ela não vai dar certo na empresa. Esse ‘algo me diz’ é a emoção falando. Algo no comportamento dessa pessoa evoca uma emoção negativa que leva o chefe a ficar com um pé atrás.

O que pode causar essa desconfiança?

AD- O ser humano avalia uma outra pessoa principalmente pela voz e pela expressão facial dela. Assim, a forma como a pessoa olha para você pode parecer insolente; ou um jeito de mexer a boca faz parecer que ela não é sincera.

Se toda a nossa percepção do mundo é afetada pela emoção, como podemos confiar nos nossos julgamentos?

AD- As emoções foram extremamente bem sucedidas, ao longo da evolução, em nos manter vivos. O medo fez com que nos expuséssemos menos ao perigo e tivéssemos mais chance de sobreviver. A alegria nos deu incentivo para fazer o que precisamos para prosperar: exercitar a mente, inventar soluções para problemas, comer, nos reproduzir. Emoções como a compaixão, a culpa e a vergonha são importantes porque orientam nosso comportamento moral. Se você fizer qualquer coisa que não está correta em relação a outra pessoa, vai se sentir envergonhado e terá um sentimento de culpa. Isso é muito importante porque vai ajudar a manter a sua conduta de acordo com a convivência em sociedade. Uma coisa que falta aos psicopatas é exatamente esse sentimento de culpa, de vergonha. Os sentimentos são, portanto, fundamentais para organizar a sociedade e foram fundamentais para a formação dos sistemas moral e judicial. Mas as emoções por si só têm limites. Para vivermos em sociedade no século XXI, precisamos muitas vezes ser capazes de criticar as nossas próprias emoções e dizer não a elas. E a única maneira de ultrapassar as emoções é o conhecimento: saber analisar as situações com grande pormenor, ser capaz de raciocinar sobre elas e decidir quando uma emoção não é vantajosa. Há um nível básico em que as emoções ajudam, e se você não tem esse nível você é um psicopata. Mas há um nível mais elevado em que as emoções têm de ser não as conselheiras, mas as aconselhadas.

As emoções são condicionadas pela vivência em sociedade?

AD- As emoções são em grande parte inatas, mas nos primeiros anos de vida são condicionadas e sintonizadas com a sociedade. Alguns mamíferos têm emoções mais elevadas, como a compaixão, especialmente na relação entre mães e filhos. As mães de cães e lobos tratam seus filhotes com um carinho que é emocional e é totalmente inato, ninguém as ensinou. Há elefantes que quando perdem um companheiro ficam não só tristes como deixam de brincar e são capazes até de fazer uma espécie de luto. Claro que nada disso foi ensinado, é tudo inato. O que acontece com os seres humanos é que esses programas inatos têm sido, através de milhares de anos, refinados e melhorados por aspectos sócio-culturais. Hoje em dia, evidentemente, nossa estrutura moral não é inata. Ela tem sido condicionada pela história da nossa sociedade com elementos que têm a ver com a religião, a justiça e a economia, estruturas que são resultado da vida humana em sociedades complexas.

Se as emoções podem moldar o raciocínio, o oposto pode acontecer? Isto é, o raciocínio pode alterar nossas emoções?

AD- Claro, e é aí que está a grande beleza e a grande complicação dos seres humanos. É aí que você vai encontrar todos os grandes dramas da história, aquilo que Sófocles ou Shakespeare captaram em suas peças. Os grandes dramas de reis e rainhas, príncipes e plebeus, é o constante conflito entre aquilo que são os conselhos da emoção e do instinto, por um lado, e a influência que vem do raciocínio, do conhecimento e da reflexão. Essa é a grande base da tragédia grega ou shakespeariana. Nós, na medida em que as sociedades evoluem, estamos caminhando para uma maior harmonia entre o lado emocional e instintivo e o lado racional e de reflexão. Essa harmonia ainda não se estabeleceu e não vai acontecer nem na minha geração nem na sua. É um trabalho por se concluir. Mas um dia, a convivência em sociedade, que exige que se ponha razão e emoção na balança o tempo inteiro, vai conseguir equilibrar os dois lados.

E como ocorre esse condicionamento das emoções?

AD- É nos primeiros anos de vida que podemos inculcar valores e formas de raciocínio através da repetição de exemplos. Eles são o alicerce da construção da nossa moral. Do ponto de vista do cérebro isso é muito curioso porque é quase uma negociação entre suas partes. Há partes muito antigas em termos de evolução, como o tronco cerebral, e muito mais recentes, como o córtex cerebral. No córtex cerebral estão as grandes representações que constroem a mente: visão, audição, tato. Todas essas representações se constroem ali, e da ligação entre elas se dá o raciocínio. Mas o córtex cerebral precisa negociar com regiões do cérebro que estão no tronco cerebral e são as responsáveis pelos impulsos e as reações rápidas. É dessa negociação que surge o conceito de que algo é permitido ou não. Você repete, repete, repete até que as duas partes entrem em consenso.

É possível recondicionar os sentimentos já na vida adulta?

AD- É possível, porém é muito mais difícil e nem sempre é um trabalho bem sucedido. Se você tem uma pessoa que começou a vida como um sociopata, é extraordinariamente difícil tornar essa pessoa um ser normal em relação a comportamento social. Isto porque seria necessário fazer todo o processo que se faz numa criança, mas o paciente já tem autonomia para não aceitá-lo.

Como raciocinamos melhor? Felizes ou tristes?

AD-A felicidade está ligada a certas moléculas químicas e a tristeza a outras. Quando estamos felizes as imagens se sucedem com mais rapidez e se associam mais facilmente. Na tristeza as imagens passam muito mais devagar e ficam como que impressas ali por um tempo. O ponto ideal para a efetividade do raciocínio é a felicidade com uma ponta de tristeza – porque na euforia, o pensamento se embaralha.

FONTE;NeurociênciaCérebroPesquisa Científica-VEJA.COM-CIÊNCIA

”A NOSSA MENTE É COMO UMA SINFONIA”-Entrevista com Antônio Damásio

O senhor começa o livro com uma citação de Pessoa: a alma como “uma misteriosa orquestra” e o conhecimento de si mesmo “como uma sinfonia”.

Eu sou português, e Pessoa faz parte da minha cultura. E a analogia com a orquestra nos explica bem o que é a vida humana. Pensemos em uma peça de música. Há um projeto a ser realizado, a própria peça, depois há o maestro, os músicos etc. Mas para que o projeto se realize não basta tocar as notas de modo correto: há também os tempos a serem respeitados, a linha vertical da partitura. Assim, a vida humana é um pouco a mesma coisa.

E que papel tem a consciência?

A consciência é uma grande peça sinfônica. Podemos dizer que ela é o principal ingrediente da mente, que, ao contrário, seria apenas cérebro, capaz de poucas operações básicas. A mente consciente, ao invés, têm diversos níveis de “si”: o “eu primordial”, o “eu nuclear”, o “eu autobiográfico”. Nós compartilhamos com diversos animais um tipo de consciência muito simples, que pode ser distinguida com o termo senciente. Em inglês, equivale a consciência, mas, para sermos mais precisos, é a condição de ser senciente. De fato, é um termo mais antigo do que consciência, deriva do latim “sentire”. Este é substancialmente um “eu primordial”, que permite ter sensações como sentir dor e prazer, mas não refletir sobre essas sensações.

Coisa que nós, seres humanos, podemos fazer.

Graças a outros níveis, como o “eu nuclear” e o “eu autobiográfico”. Assim, somos capazes não só de ser sencientes, mas também “reflexivos”. Ou seja, temos a capacidade de especular sobre nós mesmos e sobre o que acontece conosco. Também na perspectiva da história e da memória: tudo o que acontece conosco é um eco do que passamos e ganha sentido no que acontecerá depois.

A consciência é, portanto, o que nos permite dar sentido às coisas?

Exatamente. O nível básico tem a ver com as sensações. O restante da consciência dá um quadro melhor e mais claro do que as coisas significam.

E que relação esse aspecto reflexivo tem com o corpo?

Toda ação material é modelada e forjada pelo cérebro. Há uma fusão constante entre cérebro e corpo. Tanto é que basta cortar esse vínculo que tudo entra em colapso. É o caso dos danos ao tronco cerebral, como acontece em certos casos de coma: tudo entra em colapso, física e mentalmente.

No livro, o senhor cita uma máxima de Francis Scott Fitzgerald: “Quem inventou a consciência cometeu um grande pecado”.

Eu gosto muito de Fitzgerald: ele foi um escritor brilhante e o que me liga a ele é o fato de ele ter passado os últimos anos da sua vida em Los Angeles, onde eu vivo. Quando Fitzgerald tentou escrever para o cinema, ele fracassou miseravelmente. Isso porque ele era muito literário, muito sofisticado, enquanto os estúdios queriam histórias rápidas, diálogos fáceis e pouca reflexão. Desse seu fracasso, podemos deduzir a ideia que ele tinha: o fato de que a consciência, embora extraordinária, tem um lado obscuro, pois nos diz quem somos e onde fracassamos. Ela tem uma dupla face.

Podemos dizer que a consciência é uma espécie de roteiro da nossa vida?

Sim, isso mesmo, e podemos colocar as duas metáforas que usamos paralelamente: como seres vivos, temos na base uma sinfonia e, depois, quando alcançamos o nível da linguagem, temos um roteiro. E é isso o que fazemos: escrevemos as coisas, todas as vezes.

Portanto, somos nós que “escrevemos” a nossa consciência?

Nós somos os seus autores, em grandíssima parte, mas não totalmente. No passado, a natureza a escreveu para nós. Por isso, não somos completamente donos do nosso destino: muitas vezes, nos encontramos diante de coisas que não queríamos, mas que simplesmente aconteceram.

E essa consciência é sempre algo bom?

Quanto mais sabemos como somos feitos, mais podemos entender como funcionamos. Certamente, há a dupla face, quase perigosa (e Hitchcock me vem à mente), da qual Scott Fitzgerald falava, que nos mostra a tragédia da vida: viver e morrer. No entanto, esse conhecimento é a única possibilidade que temos de ajudar os outros a viver melhor.

Por que Alfred Hitchcock lhe veio à mente?

Eu gosto muito dele, particularmente o filme O homem que sabia demais. Perto do fim do filme, o protagonista interpretado por James Stewart diz algo mais ou menos assim: “Mesmo um pouco de conhecimento pode ser muito perigoso”. De fato, no filme, ele terá um fim terrível.

Que importância tem a biologia no seu trabalho?

Tudo pode ser melhor entendido se o olharmos em uma perspectiva biológica. Os nossos sistemas biológicos são sistemas econômicos, ou seja, sistemas que operam em um ambiente social. Isso pode nos ajudar a compreender a nossa sociedade que, no fundo, se comporta como um sistema biológico, baseado no sucesso e no fracasso. Os sistemas morais, religiosos, econômicos, assim como as leis ou a medicina e as artes, nada mais são do que uma projeção de um sistema biológico.

E como se concilia esse viver biológico com a consciência que temos de nós mesmos?

A nossa condição de seres vivos é uma luta contra a doença e a morte. É uma batalha constante. Sempre devemos lutar para manter uma “condição homeostática”. Essa condição oscila entre o bom funcionamento e o mau funcionamento. Desde o início biológico e evolutivo, historicamente, aparecem esses yin e yang, um sob a forma do prazer, e o outro sob a forma da dor. E viver é estar no meio disso. Devemos navegar entre a muita dor que te mata e a muita felicidade que te mata da mesma forma.

ASSISTA AO VÍDEO;DIÁLOGOS COM ANTONIO DAMASIO

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CONCLUSÃO E NOTA DO BOG

É extremamente difícil, no estágio do conhecimento científico em que estamos, falarmos acerca dos processos neuropsicológicos, sem que tenhamos inúmeras discussões. Nossas “verdades” são efêmeras. Mal conseguimos “passar a limpo” os rascunhos de nossos estudos e leituras e temos que começar tudo novamente tal o número de informações e reflexões a respeito do tema, pois a Ciência recoloca permanentemente em discussão os conceitos, mesmo os mais sólidamente estabelecidos.O homem sempre possuiu um forte, ambicioso e íntimo desejo de conhecer a sua origem e a do mundo em que habita. E, depois de tantos estudos, de tanta especulação, de tantas controvérsias, esta questão é ainda hoje um problema sem solução científica, apesar de constituir a procura e a essência do conhecimento do homem e de ser a questão central do pensamento filosófico.O sistema nervoso central é a porção do corpo humano mais protegida, a que possui maior complexidade anatômica e funcional, a que é dotada de maior plasticidade de reações, a que tem maiores potencialidades, aquela em que se verifica maior capacidade evolutiva. Todos estes fatos estão relacionados com a sua intensa atividade funcional e com a sua extrema delicadeza. Com efeito, na essência de qualquer fenômeno da vida do homem, encontramos sempre o sistema nervoso, pois este conduz e regula todas as funções e toda a evolução do gênero humano e do indivíduo.O homem é, por excelência, um ser social que aprende de uma maneira mais complexa, por essa razão, é mais eficiente que os outros seres vivos na medida que possui um tipo único e especial de sistema de comunicação: a linguagem. O que uma pessoa se torna eventualmente, em termos de comportamentos e crenças,em parte depende da cultura na qual está inserida. Não só o homem faz cultura, mas ele também é feito em parte pela cultura.Fascinante é o estudo do sistema nervoso do homem, de sua organização morfo-psico-funcional que rege as necessidades do indivíduo e suas relações com o ambiente físico e social, peculiares a nossa espécie que é por nós chamada de personalidade.Nosso modo de ser é único; é a distinção de nossa espécie.Nosso cérebro faz muito mais que recolher, ele compara, analisa, sintetiza, e como nenhum outro computador, usa as emoções e as intuições, gerando abstrações novas e inusitadas, projeta-nos no futuro, liberta-nos do presente.Temos uma qualidade única: a de ver a nós mesmos e um desejo inextinguível de querer saber que somos o instrumento de nossa sobrevivência.Segundo Antonio Damasio,para conhecermos melhor o nosso cérebro, temos de ver os aspectos evolutivos de nossa espécie, porque como todos os nossos órgãos, o cérebro evoluiu aumentando a complexidade e o conteúdo das informações por milhões de anos.Sua estrutura reflete todos os estágios pelos quais passou o encéfalo. Evoluiu de dentro para fora. Sabe-se que as áreas relacionadas com o comportamento emocional ocupam territórios grandes, de vários centros sub-corticais e do córtex cerebral(vide posts da série “Uma viagem ao cérebro humano” aqui do blog). O estudo do cérebro ocorre dentro de um princípio holístico , o qual baseia-se na idéia de que processos psicológicos em larga escala operam em sistemas funcionais intimamente integrados e desempenham cada qual um papel na atividade psíquica. Sendo eles responsáveis pela manutenção do tono do córtex, estado indispensável para o correto recebimento, processamento, elaboração e conservação da informação, assim como pelos processos de formação e organização de comportamentos e também pelo controle de suas execuções a partir do próprio corpo do indivíduo.Recordamos ainda que toda a movimentada atividade cerebral depende de uma fina e requintada comunicação neuroeletroquímica (hoje são conhecidas algumas dezenas de substâncias que exercem atividades neurotransmissoras) realizada por uma microscópica “rede” de células cerebrais, cujo corpo mede em geral apenas alguns milésimos de milímetros – os neurônios. Possuímos cerca de cem bilhões destas pequenas células especializadas e cada uma delas estabelece em média contacto com 1.000 à 10.000 outros neurônios (algumas chegam a fazer 50.000 junções).Damasio defende que nossos pensamentos, sensações, percepções, fantasias, possuem uma realidade física. Um pensamento é formado por milhares de impulsos eletroquímicos. A neurotransmissão é mais um dos intrincados segredos do sistema nervoso que está sendo exaustivamente estudado e lentamente esclarecido; o entendimento final e completo do cérebro está indefinido no futuro e pode até mesmo ser paradoxal; “um cérebro compreender completamente o que é um cérebro”.

EQUIPE DA LUZ É INVENCÍVEL

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ENTREVISTA COM ANTONIO DAMASIO
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O Mistério da Consciência-PDF

O Erro de Descartes-PDF

A SUPERAÇÃO DO DUALISMO CARTESIANO EM ANTÓNIO
DAMÁSIO E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA AS CONCEPÇÕES E
PRÁTICAS MÉDICAS OCIDENTAIS
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Bibliografia para consulta

O Erro de Descartes: Emoção, razão e o cérebro humano.
Antonio Damasio
 O Mistério da Consciência: Do corpo e das emoções do conhecimento de si.
 Antonio Damasio
Ao Encontro de Espinosa: As Emoções Sociais e a Neurobiologia do Sentir.
Antonio Damasio
E o cérebro criou o Homem.
 Antonio Damasio
 Self comes to Mind
Antonio Damasio

Nota:Biblioteca Virtual

Divulgação: A Luz é Invencível

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Equipe da “Luz é Invencível”

3 comentários em “OS CIENTISTAS DA NOVA ERA-Antonio Damásio e a Neuropsicologia-O cérebro á procura da Alma-vigésima sétima parte

  1. Caríssima,
    É com enorme surpresa que encontro nesta série de excelências um cientista cá da casa, apesar de o ser praticamente só de nascimento, pois sua vida profissional tem sido passada longe daqui. É de facto alguém que se evidenciou em desvendar os ‘mistérios’ do cérebro e sua obra bem o demonstra, mas parece-me não se ajustar muito bem ao paradigma desta nova era, principalmente pela sua postura que alega clara separatividade entre crença religiosa (que considera ser assunto do foro íntimo, tão somente) e ciência. Aquando do lançamento do seu livro de maior referência ‘O erro de Descartes’, foi grande o interesse que gerou pela, digamos, frontalidade, mas a verdade é que não consegui lê-lo., Já andava entrosado na ‘onda quântica’ e contava que iria encontrar algumas achegas interessantes nesse campo, mas nada. Desde então praticamente desinteressei-me pelo seu percurso, pois não parava de aparecer quem verdadeiramente me seduzia e impactava (que foi o que aconteceu com a maioria dos que compôem esta série. p.e., mas não só, claro).
    Mas, seja como for, acho que procedeu muito bem em incluí-lo pois a diversidade, bem sustentada e argumentada, sempre tem o mérito de cada um melhor validar os conhecimentos que vai adquirindo.
    Obrigado pela lembrança, e provavelmente aqui se encerrará nova referência a cientistas cá do burgo. Temos gente de muito mérito e qualidade mas, assim de momento, não estou ver que haja quem se enquadre e se destaque no específico campo da ‘nova era’. Nada a lamentar, pois, nesta era da informação e intercomunicação global, as línguas nacionais tenderão a perder relevância, uma vez que estamos a caminho doutros meios de comunicação mais avançados e certamente mais fiáveis, nos quais a telepatia se destacará, provavelmente, não é mesmo?
    Estamos mais uma vez passando pelo folclore de uma quadra festiva, sustentada em dados que nem a igreja já reconhece. A família está em destaque e que assim seja, mas que o foco se expanda e passe a integrar à Família Planetária, Global, Cósmica a que todos pertencemos, são os meus votos.
    Um Bem-Haja Luminoso para ambos (e às respectivas famílias).

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    • Olá Sr Àlvaro

      Obrigada pela presença sempre constante, complementando com seus comentários e observações

      Um dos motivos de colocarmos esta série no ar, foi o propósito de fazer as pessoas conhecerem novas idéias e paradigmas da ciência, aliando tudo isso á nova espiritualidade cósmica, tão falada em tempos de Transição Planetária e ao novo homem noosférico, a próxima etapa de nossa evolução como raça humana, mesmo que ainda não tão quântica quanto desejamos, mas sim, como conseguimos ser no momento presente.
      Damásio é um precursor de idéias inovadoras, na época em que iniciou suas pesquisas e ainda podemos ver muitas coisas interessantes e esclarecedoras;como somos bastante democráticos e sabemos que muitas pessoas ainda estão “tentando sair da caixa”, sempre consideramos válido os questionamentos e pessoas que ousam desafiar o “status quo”, que por centenas de anos ,nos impuseram pela cultura, ciência e religião, ainda primáriamente levadas á serio e com dogmas inquestionáveis;faço minhas suas palavras, quando diz que a diversidade bem sustentada é válida;e não estamos aqui para isso? lidar com diversidades dentro de adversidades?

      Temos sim alguns cientistas que estão despontando, e o próximo da série é outro pesquisador quântico;aguarde para a próxima semana, mais informações do ramo de assuntos estrelados da série, que é a física quântica e sua exploração pelo campo científico, que se torna cada vez maior e mais complexo, colocando em “xeque-mate” todos os nossos conceitos de vida humana como a conhecemos.Isso ajuda a expandir nossa consciência, quebrar regras pré-estabelecidas e nos abrir caminho neste intrincado, porém fascinante assunto.

      Quanto á comunicação global com a linguagem usual e tradicional, é incrível como fomos educados(de maneira geral) a não ter intimidade com o que sentimos. Comumente somos estimulados a seguir regras, convenções sociais e nos guiarmos pelo exemplo de outras pessoas que consideramos mais sábias e que nos indicam caminhos;e fazíamos sem questionar nada! E raramente nos questionaram sobre como nos sentíamos em relação aos acontecimentos que vivíamos e isso eu falo de todos, inclusive nesses citados, nesta época onde fomos condicionados a aceitar e “entrar no clima desta questão religiosa que serve a outros interesses”- E ao fazermos isso, ignoramos os nossos sentidos internos e focamos nas percepções externas.Se voltarmos nossa atenção para as sensações que agora despontam mediante os questionamentos dos já despertos, teremos uma bússola eficiente para conhecermos o que nos faz bem, descobrirmos sentimentos natos, aprimorarmos as tendências da nossa
      personalidade e assim construirmos uma existência mais integrada com o Universo.E isso difere muito deste tradicionalismo secular que sempre quiseram nos impôr.E eu vou mais longe; o destaque não deveria ser a família de sobrenomes e sangue, mas sim, a família humana, a raça á que pertencemos, onde muitos se sentem órfãos ainda e deslocados, mesmo dentro das tais “famílias”,pois falta-lhes compreensão, respeito e amor.Uma forma de retomar o caminho das próprias sensações é perceber com uma freqüência maior como aquilo que estamos pensando e fazendo reverbera no nosso sentir. Como as sensações transcorrem durante as “atividades/festividades”, com bem ­estar ou se há algo desagradável ou difícil de desempenhar/entender/aceitar.

      A Energia Cósmica vibra no Universo. Energia de criação e movimento contínuo e que nos alimenta ininterruptamente.Essa é a tônica que deveria pautar a confraternização no planeta neste momento; esta é a verdadeira força e intenção que a Consciência Crística nos deixou como exemplo e norte , afim de nos conduzir cada vez mais alto para a Fonte, e não importa o que tenha acontecido no Tempo e sim, que o tempo que temos aqui é feito para o aprendizado que deve ser observado , afim de que todos possam olhar uns para os outros e definitivamente sabermos que SOMOS TODOS UM.

      E quanto á liberdade para sermos realmente uma raça planetária galáctica-cósmica…
      “Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a Verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência”.
      Leon Tolstoi

      Nós agradecemos os votos e extendemos ao senhor e á sua família, bem como á família de todos que nos acompanham e mais além.

      Muitas vibrações positivas da Equipe da Luz é Invencível

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  2. Pingback: Os Cientistas da Nova Era – Antonio Damásio e a Neuropsicologia – O cérebro a procura da Alma – 27ª Parte – 22.12.2015 | Senhora de Sírius

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